quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Humor afrodescendente



Uma coisa que me irrita, me deixa louca da vida, é o tal do "politicamente correto".
Confundem ter bom senso e ser respeitoso com ser imbecil, um chato de galocha.
Um dos meus melhores amigos é "viado". Sim. O chamo de VI-A-DO.
"E ele?" você se pergunta. Ele não se importa! Ele é meu amor, meu viado amor.
Não pensem que ele me chama de "docinho de coco" não.
Pensam que isso é desrespeito? Eu encaro como carinho.
Há um contexto e uma intimidade entre nós que permite esse tipo de linguagem, onde ambos sabemos que a última coisa que queremos é nos magoar.

Você acha mesmo que um negão delícia vai querer ser chamado de "afrodescendente do sexo masculino, de grande estatura, com massa corporal bem distribuída"?
Uma amiga da minha mãe olhou pra as minha brancas pernas e fez cara de nojo (NOJO!) enquanto dizia "meu Deus. Como você é branca..." Isso me afetou. Afetou de um modo como nunca me senti desrespeitada ao ser chama de "lesma", "copo de leite", "alvejada com cloro", "mandioca descascada" - e por aí vai -, pelos meus amigos.
Não é o que se diz: é COMO se diz. É o contexto, é a entonação, é a ideia que se quer passar.

Várias obras do Monteiro Lobato estão sendo censuradas pelo MEC por ter conteúdo racista. Parece brincadeira, mas não é. E tudo isso por trechos extremamente bestas e curtos que eu não considero ter teor racista. Trechos escritos por uma pessoa que nasceu no século 19 e vivia uma realidade totalmente diferente da nossa. Uma coisa que passa pela minha cabeça é que o pobre homem está sendo injustamente acusado de racismo por ter nascido branco e descrito pessoas de pele escura como "pretas" em suas obras. Mas espera: Preto... Negro... Vê alguma diferença na definição das duas palavras?
Certeza que o MEC só não censurou os trechos do saci-pererê por achar que a intenção de Monteiro foi cumprir a cota para deficientes. (Opa, olha meu humor afrodescendente aí.) 
Hoje dividimos em branco, caucasiano, amarelo, índio, pardo, negro. Pra que tudo isso, eu não sei, mas dividimos. Ok, é a realidade atual, mas não era em "mil oitocentos e lá vai fumaça."
Será que se os mesmos trechos escritos por Monteiro Lobato (branco) tivessem sido escritos por Machado de Assis (negro/ preto/ pardo/ afrodescendente/ mulato/ 30 minutos depois...) este também seria condenado por racismo?


Acredito mesmo que a grande maioria desses "defensores" pensam, em coisas com "humor negro", mas admitir, jamais. Afinal, tudo virou humor afrodescendente.
A gente quer dizer uma coisa simples e tem que dizer medindo palavras pra os idiotas não pensarem que você é a reencarnação de Hitler.
Lógico que eu não sou a favor do desrespeito, dos maus tratos, do preconceito. Mas o que fazer, se tudo o que sai da sua boca pode e SERÁ usado contra você?
O que fazer se achei graça nas piadas feitas sobre Eliza Samúdio, Carlos Matsunaga e até de Rafinha Bastos dizendo que comeria Wanessa e o bebê?

*Para fins de direitos autorais, declaro que imagens usadas no post foram retiradas da internet e os autores não foram identificados.

3 comentários:

Patricia Faria disse...

Sabe Lay meu avô tem 80 anos, e costuma chamar os negros de Preto, vira e mexe ta o meu avô dizendo - Sabe aquele Preto? Já falamos pra ele não falar assim, por mais que seja na inocência, muitos não compreendem, e falo dos negros mesmo, muitos se sentem ofendidos.
Mas para o meu avô não adianta falar, na época dele, ou seja na sua juventude, era assim, não tinha definição nas duas palavras.
Hoje ta td diferente, qualquer coisa é motivo para racismo, temos é que tomar muito cuidado com o que falamos.
(Nossa meu comentário ficou enorme kkkk, desculpa flor, é só vontade de dividir idéias)

Mariana disse...

Faço minhas as suas palavras em absolutamente todos os parágrafos. Inclusive na parte da perna branquela nojenta. haha. Já passei por isso também.
Assino MUITO embaixo.
É engraçado que todo mundo hoje é politicamente correto, mas ninguém pensa, por exemplo, que parar o carro na calçada atrapalha os pedestres.
Você acabou de me inspirar um texto. hahaha
Beijosss

Elisa Cunha disse...

Menina, já tava com saudade de ler algo por aqui. AHUAH
AH, o racismo continua sendo um assunto polêmico; seus exageros...
Mas poxa, Lay, eu aqui tentando esquecer o Enem e você vem me falar de MEC? rs

Beijos

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