domingo, 23 de setembro de 2012

Pelo direito de chorar enquanto lê

Nesse último mês e meio minha vida foi extremamente agitada pelo capeta e tive motivos suficientes que poderiam fazer a maioria das pessoas caírem em prantos. O mais curioso é que não consegui derramar sequer uma lágrima - nada, nadinha - por nenhum dos acontecimentos desagradáveis. Entenda bem: Não é que eu não quisesse chorar, eu simplesmente não consegui! - apesar do atual aperto no peito me fazer ter a certeza de que preciso fazer isso em algum momento para lavar a alma de todos os acontecimentos que me deixaram agoniada.
Talvez não chorar seja minha forma inconsciente de dizer pra a vida: "Olha aqui, sua vadiazinha, você não tem sido nada gentil comigo. Quer saber? Também não vou te dar o gostinho de lágrimas."

Aí você pensa: Mas é quase uma rocha!
Sou uma rocha até ter um livro tocante em mãos.
Me deixo guiar mesmo pela emoção. Nos livros até a desgraça tem um certo encanto - que não está presente na vida real - que faz você partilhar das agruras do personagem.
O problema, pra mim, não é chorar com algo que na maioria das vezes não aconteceu; o problema mesmo é não poder chorar em paz pois as pessoas não entendem como você pode estar chorando pela dor ou morte de um personagem amado, afinal "é tudo de mentirinha"; ou como você consegue se tornar amiga da moça ou querer se casar com o rapaz ao ponto de chorar pelos planos que eles fizeram e deram errado. Ou chorar - e esse choro é doloroso, hein? - pelo final de uma saga.


É péssimo ter que ficar encolhidinha no fundo do ônibus pra que não vejam que uma ou outra lágrima teima em cair mesmo que você esteja se esforçando pra conter a Itaipu que está se formando nos olhos.
Ou pior: Não poder chorar em casa (poxa!) enquanto lê, pois sabe que sua família não vai entender e simplesmente ficará assustada. Isso acontece as vezes comigo, e recebo uns olhares de "eu heim??" da minha mãe, e olhares de "meu Deus, o que aconteceu?!" do meu pai. Se eu visse meu filho ou filha chorando com um livro nas mãos, iria até ele, daria um abraço forte e diria simplesmente "Eu sei, querido... Mas ainda existem novas linhas e novos livros pela frente."

O que eu posso fazer se choro? A culpa não é minha, sociedade, mas sim da pessoa que escreveu o texto de modo tocante. Pessoas que conseguem escrever palavras que tocam possuem um dom, pessoas que se deixam tocar por essas palavras, também; afinal, já nos fechamos tanto pra outras coisas, tentamos ignorar tanto as nossas dores da vida real (ó eu aqui!) que não apreciar a leitura rindo - quando ela é engraçada - ou chorando - quando é triste - é se limitar demais.
Por isso só quero casar se for vestida de princesa Leia com alguém que tenha o dom para a escrita: Poder acordar de madrugada e ver que ele está no computador, levantar de pontinha de pé e dar um abraço por trás apoiando o queixo no ombro dele enquanto o observo digitar palavras que tocarão o coração de alguém.
Todos sabem que ser escritor é um dom, mas poucos sabem que ser um leitor, também.

PS: Adora ler? Faz uma visita ao grupo Livrólatras no Facebook


*Imagem do Google Images. 

3 comentários:

Mariana disse...

Gostei do que você escreveu e me identifiquei. Eu também deixo de chorar (as vezes) por algo que aconteceu comigo para chorar rios com um livro ou filme. rsrs
Não tem nada de estranho nisso: só quem é sensível entende. ;)
Beijos

Alysson disse...

No final de "A Menina que Roubava Livros" foi impossível não chorar. Eu também sou completamente dominado pelo mundo inventado. Fico totalmente entregue a uma história: livros, novelas, filmes... principalmente antigos, que gosto muito mais.

Abraço!

Patricia Faria disse...

Oi Lay, tbm choro com um livro na mão, ainda bem(e graças a Deus)que meu marido entende rsrs!
Não sou escritora, mas acho que tenho o dom de ler =)
Amei o post e o blog, to te seguindo ok?
Beijinhos!!

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