segunda-feira, 9 de julho de 2012

Depende da interpretação

Eu estava no banho, apreciando o som que vinha do rádio - sem ser atrapalhado por nenhum ruído que uma casa com mais pessoas teria.
De repente começou a tocar uma música que eu gosto, composta por Lobão e interpretada na voz do próprio, de nome "Me chama". Essa música é conhecida na voz dele e na de Marina Lima, apesar de ter sido regravada por muitos. Particularmente, prefiro na voz dela.
Me apeguei a aquele início da música e então notei algo que nunca tinha notado tão a fundo: A diferença na interpretação entre Marina e Lobão.
A versão que eu ouvi na voz do lobão foi a do Acústico MTV. Mas ainda assim, na versão original dos anos 80 é possível perceber, até certo ponto, o que eu vou falar.

Pra começar, a letra da música é a seguinte:

Me Chama

Chove lá fora e aqui tá tanto frio.
Me dá vontade de saber; aonde está você?
Me telefona... Me Chama! Me Chama! Me Chama...

Nem sempre se vê lágrima no escuro.
Lágrima no escuro, lágrima...

Tá tudo cinza sem você... Tá tão vazio...
E a noite fica sem porque...

Aonde está você?
Me telefona... Me Chama! Me Chama! Me Chama...

Nem sempre se vê mágica no absurdo.
Mágica no absurdo; mágica!...
Nem sempre se vê lágrima no escuro.
Lágrima no escuro, lágrima!...






A interpretação dele é visceral. Ele começa - de um modo meio indignado - a cantar que a pessoa não está com ele, mesmo sob as tais circunstâncias de tudo parecer frio e vazio, parecendo achar isso uma traição.
Em seguida, pede de forma pacífica para que a pessoa diga onde se encontra, que lhe dê atenção.

Sem obter sucesso, ele canta o trecho seguinte de modo alarmante, por não ser compreendido. Por nem sempre conseguirem compreender a situação da maneira que ele enxerga.

Ele volta a dizer - ainda de forma "incrédula" e meio enraivecida por a pessoa não estar ali - que sem a outra pessoa, o mundo ficou vazio e sem cor.
Pra em seguida usar um tom de voz que chega a implorar pela atenção que não se tem.
E novamente dar um guinada, e usar toda a potencia vocal pra gritar que nem sempre conseguem compreendê-lo. Que nem sempre conseguem ver a beleza e agruras das situações, do modo que ele enxerga.



Só é possível ouvi-la no próprio site do YT.

A interpretação de Marina é mais triste. Canta como quem não pede nada, não espera nada. Está apenas divagando pelo próprio pensamento, e simplesmente constatando - de forma conformada - o fato de estar sozinha numa situação difícil.

Em seguida ela pede "me telefona, me chama..." sem demonstrar ter nenhuma esperança de ser ouvida ou de que seus desejos sejam atendidos.

Quando chega a parte do "nem sempre se vê lágrima no escuro/ nem sempre se vê mágica no absurdo", ela não demonstra a indignação nas palavras, da forma como Lobão o faz. É mais como um lamento por não poder dividir as impressões que ela tem da situação.



O que quero dizer com isso tudo??
QUE TUDO DEPENDE DA INTERPRETAÇÃO. QUE A FACA PODE TER DOIS GUMES.
O que uns veem com fúria, outros podem ver com certa ternura, ainda que ambos estejam no mesmo barco.

PS: Sim, para quem não é acostumado, num primeiro momento a aparência de "louco varrido cheirador de pó" do Lobão dá um susto na gente.


*Para fins de direitos autorais, declaro que imagens usadas no post foram retiradas da internet e os autores não foram identificados.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Ela



Ela foi uma criança tranquila e sinais indicavam como seria a vida dessa pessoa: Uma foto de uma infante com poucos meses de vida mostrando o dedo do meio para a câmera não trazia boas novas. 
Um projeto de gente muito segura de si e com poucos "por quês". Sempre tentava achar as próprias soluções para as coisas que se propunha a desvendar.
Na escolinha, um garotinho se apaixonou por ela, e o jeito mais fofo ele que achou para demonstrar foi beliscando suas pernas. "Pronto. Não sabe o que é paixão, mas vai lembrar de mim sempre que olhar os roxos que eu deixei nela." Onde estava a lei Maria da Penha quando se precisava dela?

E assim foi crescendo ser saber ao certo o que é "relacionamento". Onde encontrar um e como alimentá-lo, até hoje são enigmas para ela.
Pensou ter se apaixonado duas vezes, depois descobriu que apenas uma das vezes foi paixão. Pensou ter amado uma vez, depois descobriu que amor não faz você se sentir um lixo. O resto de seus afetos são pessoas que ela sabe que não estão inclusas em seu futuro, mas ela insiste em abrir a porta do coração para deixar que alguns fiquem de visita por um tempo curto.
E ela jura - pela alma de sua mãe que está viva - que se nada em sua vida der certo, vai montar um grupo de Stand Up Comedy com as amigas para fazer as pessoas rirem de suas desgraças amorosas.

Ainda muito nova ela aprendeu a sorrir quando na verdade estava com vontade de chorar. Assim ela permaneceu por muitos anos. Até que cansou e resolveu parar de reprimir o que sentia. "Foda-se esta merda. Que vejam como eu sou e decidam se gostam ou não, afinal."
Mas ela é dessas: Você ama ou você odeia. E ela não faz por mal. Ela apenas se mostra como é. De cara limpa, de peito aberto, pronta para mostrar quem é e receber o que a outra pessoa tem de melhor e pior. É sincera quando na verdade deveria não se mostrar. Deveria ser misteriosa; não é assim que todo mundo gosta? De pessoas que escondem o jogo pra só depois mostrar as víboras que são? 

Ela gosta de futebol e entende as regras, gosta de filme "de mulherzinha" e também de ação; gosta de rock e de bossa nova, e também curte o "tchu tcha tcha" nas horas de diversão; tem um humor negro podre e tenta ser engraçada enquanto faz piada sem graça; fala sobre sexo com naturalidade e lê livro de romance pra em seguida fazer uma poesia; acha sapato de salto a coisa mais linda do mundo, mas sempre irá preferir o All Star; desconfiada, teimosa, com uma memória desgraçada de boa e uma sinceridade inútil; diz querer um amor pra a vida toda, mas não acredita que ele virá; as vezes se irrita e diz "Dane-se tudo" pra no momento depois quase implorar "Oi, alguém quer me amar?"; admite ser louca mas, por medo de ser quem é, tenta se convencer que é tão normal quanto qualquer outra; e, assim como a água, aprendeu a se adequar ao contexto onde está inserida.

Não sabe ao certo quem é, talvez por ser muitas em uma só, talvez por nunca ter notado a si mesma como alguém que é mais do que apenas medíocre. Não sabe se o mundo não está pronto para ela ou se ela não está pronta para o mundo. Ela apenas sabe que está deslocada.
Se ela gosta de ser assim? Não, ela não gosta, mas também não sabe ser uma pessoa diferente.
Por isso ela brinca de tentar olhar de fora e assistir a própria vida, como um espectador que assiste uma novela e torce pela protagonista.


segunda-feira, 21 de maio de 2012

Receita para ser feliz




1/2 lata de leite condensado.
1/2 colher de sopa de margarina.
1 colher de sopa de chocolate em pó.

Coloque tudo numa panelinha, leve ao fogo e mexa como se não houvesse amanhã, até ferver. Desligue, espere esfriar, seja feliz.


PS: Pra quem tá aí dizendo "ai, mas eu vou engordar": Fia você faz isso uma vez na vida, outra na morte.

PS 2: Ninguém consegue ser feliz e magra ao mesmo tempo. Acostume-se.

PS 3: Te dei a receita da felicidade. Se você souber a fórmula do amor, compartilhe comigo. Eu, Leoni e Leo Jaime ficaremos gratos.

PS 4: Ah, porra, até quando você vai ficar perdendo tempo lendo "PSs"?? Vai logo ser feliz.



*Imagem do Google Images.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Morte cibernética


Hoje vi uma imagem que diz que daqui 100 anos, o Facebook terá alguns muitos milhões de perfis de pessoas mortas. Bom, já era de se esperar. Nem todos os reles mortais têm Síndrome de Dercy, grande filósofa que morreu no auge de seus 243 anos.


E aí, lembrei que há um ano atrás, um colega sofreu um acidente de moto e após um mês internado, morreu.
Quando soube da morte dele, meio que nem acreditei. Fui olhar o Orkut dele, e lá estavam, todas as fotos, rastros de quem ele foi, do que pensava, as preferências dele expostas em forma de comunidades, pessoas deixando scraps como forma de homenagem. Olhei no meu MSN e vi o dele, ficaria offline pra sempre. Era estranho ter a certeza de que ele nunca mais iria me chamar com o costumeiro: "Oi, menina."
Resolvi "exclui-lo" do Orkut e do MSN. Não queria pensar no fato de que ele nunca mais estaria ali.
Pensei: E se fosse eu?

Eu tenho conta no Facebook, no Twitter, no Photobucket, no Fileden, no XVideos (Rá! Brincadeira), no Google - Picasa, Blogger, Youtube, Google Plus, Orkut (que nem uso mais) -, e ainda vários emails - consequentemente o MSN.
Imagina que tudo o que um dia eu fui ficará "perdido" na internet?
Prevendo isso, pedi pra que uma amiga guardasse todas as minhas senhas e sempre que modifico alguma, envio um novo arquivo pra ela. Em fim, no dia de minha morte, quem eu sou hoje existirá apenas na lembrança das pessoas, pois acho muito mórbido as pessoas deixando recados e comentários que nunca serão lidos pela pessoa aos quais foram enviados. 

Claro que escolhi uma amiga de super confiança, mas tão de confiança que eu acho que ela acredita que irá passar a eternidade no inferno se entrar em alguma das minhas contas sem minha autorização.
Inicialmente, quando expliquei o motivo de querer que ela ficasse com minhas senhas, ela ficou preocupada e desconfiando de um possível suicídio. Ri alto.
Depois descobri que há sites que cuidam das senhas das pessoas e, após a morte do usuário, as enviam para as pessoas designadas previamente por ele. Mas como esses sites descobrem que o usuário morreu, eu não sei. Se alguém souber, me explique, pois tá fodinha conseguir entender a lógica da coisa.

Em fim, eu vim dizer que vou passar um tempinho longe do blog, mas não muito. É só pra dar uma descansada na mente. E aí você pensa: 


What the bitch...

Fica enchendo a cabeça com porcaria
e quem paga é o blog.


Ser bitch... Me gusta.

 Hahaha! Prometo voltar com todo o gás.

sábado, 14 de abril de 2012

O que te inspira?


Ricky me passou uma tag, e tenho que dizer 10 coisas que me inspiram. Certo, lá vamos nós:

1 - Pessoas;
São fonte CONSTANTE de inspiração. Podem ser amigos, familiares, desconhecidos, a vizinha, o pedreiro... Falam algo, agem de determinada maneira, então se abre um leque de possibilidades e minha cabeça entra em um mundo paralelo.

2 - Escrita;
A escrita é uma das minhas maiores paixões. Seja falando besteiras aqui, ou anotando algo num caderno, ou escrevendo algo mais pessoal; saber que eu posso "extrair" coisas de mim através da escrita já me impulsiona a começar a pensar.

3 - Música;
De preferência, música "boa", mas também consigo pensar em várias coisas pra falar sobre o que EU considero como música ruim. 

4 - A chuva;

Eu tenho um caso de amor com a chuva e gosto de banhos de chuva. De qualquer modo, quando a chuva cai, ela vem e leva embora toda a minha inquietação, toda a minha "maluquês".
Se estou em estado de euforia, ela tira a minha agitação e me deixa só com um sorriso. Se estou triste, ela vem e leva embora a angústia, mas me deixa processar a minha dor com um sentimento de paz.
Em fim, eu seria capaz de fazer poemas e canções em homenagem a chuva.

5 - Leitura;
Esse ano, eu preciso ler mais. Entretanto, a leitura é algo que realmente consegue me tirar da minha realidade. Imagino cenários, personagens, som das vozes, entonações usadas, expressões faciais, tudo.

6 - Boa conversa;
Eu diria que uma boa conversa é um portal que pode fazer a sua mente processar trilhões de coisas ao mesmo tempo, deduzir algo a partir disso e ainda fazer você pensar em outro trilhão de coisas a partir da sua própria dedução. Muito inspirador.

7 - Bichos;
Tenho TANTO a aprender com esses seres. A forma como amam, como agem... Em fim, sinto que posso ser uma pessoa melhor ao estar em contato com eles. Principalmente com meu filho gato, Dengo.

8 - Milagres;
Certo, ok, eu acredito em milagres. Mas quando falo em milagres me refiro àquelas coisas que parecem estar totalmente perdidas, totalmente sem volta e do nada algo incrível acontece, algo que ninguém esperava, e muda todo o cenário. As vezes são grandes coisas, as vezes são pequenas coisas, mas eu admito que AMO quando acontece.

9 - Filmes e séries;
Pra mim, essas duas coisas são a combinação de outras duas coisas que eu citei: A escrita e a música.
Presto mesmo MUITA atenção na trilha sonora e no roteiro. Adoro observar os diálogos entre os personagens, se a música encaixa com a cena, etc. E isso também me fez entrar em um universo paralelo.

10 - Coisas simples;
Cheiro de café, som da risada de alguém querido, folhas balançando com o vento, barulho da chuva, afagar meu gato, um telefonema de alguém legal, pipoca estourando, uma música boa tocando baixinho em fones gigantes de ouvido, ...

Ufa! Responder isso parece fácil, mas não é. A partir do oitavo item a gente começa a ficar sem ideias. Hahaha!
Teria que indicar blogs, mas prefiro que qualquer um sinta-se livre para fazer ou não. :D

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